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Vamos falar de saúde pública


17/2/2012

O tema da Campanha da Fraternidade de 2012 é ainda mais polêmico e desafiador, “Fraternidade e Saúde Pública”. Lançada oficialmente em todo país na celebração de Quarta-feira de Cinzas, tem por lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”. O Dr. André Luiz de Oliveira, membro da Pastoral da Saúde da CNBB explica um pouco melhor o trabalho da campanha deste ano, afinal falar de saúde pública no Brasil, é falar do Sistema Único de Saúde, SUS:

 

"O Brasil tem hoje cerca de 194 milhões de habitantes. Nós temos em torno de 76 a 77% da população brasileira que depende única e exclusivamente do SUS, ou seja, do sistema público de saúde. Temos um sistema integral e universal, porém com um financiamento ainda aquém daquilo que necessitamos.

 

Estamos traçando nesta Campanha da Fraternidade de 2012 algumas estratégias de sensibilização e busca de apoio para, visando essa consolidação do SUS, a defesa direta do sistema público de saúde brasileiro, de forma integral e de forma universal. Porém, nós precisamos conscientizar para que os nossos bons cristãos, as pessoas que trabalham ali na base, possam entender que é direito delas hoje, garantido na Constituição brasileira, um sistema público de saúde integral, de qualidade, para que a gente possa ter um acesso mais garantido a esses mais de 150 milhões de brasileiros que dependem única e exclusivamente.

 

Mesmo falando de 47, 48 milhões de pessoas que possuem plano de saúde no Brasil, mesmo esses, que possuem plano de saúde, dependem também do SUS em algumas coberturas ou em alguns atendimentos. Exemplo: transplante de órgãos. Nenhum plano de saúde ou quase nenhum plano de saúde no Brasil cobre transplante de órgãos. E isso cai na rede pública.

 

Mesmo as pessoas que não têm plano de saúde, mas conseguem ter um atendimento privado, eles também utilizam o sistema público de saúde brasileiro a partir do momento que viajam, de navio, de avião, porque a Agência de Vigilância Sanitária, que atende a segurança aeroportuária, é custodiada pelo SUS. Então quando falamos e tratamos dessa conscientização no Brasil de que todos dependem do SUS fortalecido e consolidado, nós estamos falando realmente de 100% da população brasileira."

 

Cartaz

O cartaz atualiza o encontro do Bom Samaritano com o doente que necessita de cuidado (Lc 10,29-37). A mão do profissional da saúde, segurando as mãos da pessoa doente, afasta a cultura da morte e visibiliza a acolhida entre irmãos (o próximo). A Igreja como mãe, em sua samaritanidade, aproxima-se e cuida dos doentes, dos fracos, dos feridos, de todos que se encontram à margem do caminho.